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Cartas

Assustei-me com a sua pergunta

Igros Kodesh, vol. 12 · carta ג'תתקסח (3968) · 17 de Kislev, 5716 · Brooklyn

Perguntou se deve continuar a davenar com vagar no Shabat. Isso nem chega a ser pergunta, e a resposta acrescenta um pedido que ele não esperava.

Recebi sua carta de 25 de Cheshvan. Agradeço o que escreve sobre as saudações que transmitiu da visita que fez aqui. Certamente estão gravadas no pensamento de cada um as palavras da Mishná, não o estudo é o principal, mas o fazer. Quero dizer que se procure fazer com que essas saudações, e as palavras de despertamento que o senhor certamente juntou a elas, façam o seu efeito na vida de todo dia dos que estiveram reunidos, e por meio deles também nas famílias deles. E já se conhece a regra de que aquilo que se semeia em palavras tem a seu favor a presunção de não voltar vazio.

Assustei-me com a sua pergunta. Como até agora o senhor se acostumou a davenar no Shabat com calma e com algum vagar, pergunta se deve continuar assim agora, ou, chas veshalom, o contrário.

É simples que isso não chega sequer a ser pergunta, depois de tudo o que está explicado longamente sobre a coisa da tefilá. Só o incômodo causado à comunidade tira alguém dessa regra, como Chazal dizem a respeito de Rabi Akiva, que quando rezava com a comunidade fazia de um modo, e quando rezava sozinho fazia de outro.

Não encontro explicação para a sua pergunta senão esta, que ela certamente veio para que eu tivesse ocasião de lhe pedir o seguinte. Que não apenas no Shabat o senhor faça assim, mas também, de tempo em tempo, nos dias de semana. Porque também num dia de semana é preciso dizer, hoje é o primeiro dia da semana, e assim por diante. Ainda mais que há quem diga que isso está incluído nos Dez Mandamentos.

E ainda mais porque a hashgachá de Cima fez do senhor alguém que influi sobre outros. E conforme a regra de que é preciso estar molhado o bastante para molhar outro, para que os outros rezem com vagar ao menos no Shabat, tem de haver um acréscimo nisso naquele que influi. E isso é simples.

Quanto ao que o senhor observou no Tanya, capítulo 1, que a interpretação do Zohar trazida na nota parece ser a mesma coisa que aquilo que se diz de modo geral no corpo do capítulo. A diferença está explicada. Aquilo que se diz de modo geral pode ser entendido, como o próprio texto explica, como sendo a respeito de recompensa e castigo. Já no Zohar a explicação trata do tzadik a quem vai mal e do rashá a quem vai bem.

Certamente aproveitarão a hora de favor do dia luminoso de 19 de Kislev que se aproxima, o dia da nossa redenção e do resgate da nossa alma, em que nos foi dada a luz e a vitalidade da nossa alma, para espalhar, e espalhar mesmo, as fontes para fora. Mesmo às pessoas que por enquanto ainda estão fora. E aquilo que se semeia em palavras tem a presunção de frutificar, ainda mais numa hora de favor e em dias de segulá, e age até que se note também na vida de todo dia.

Com brochá do chag da redenção.

O envio ficou retido, e nesse meio-tempo recebeu-se sua carta da saída do Shabat, com o pidyon nefesh.

Quanto aos registros das sichot, trechos entrarão no próximo kovetz, e para essa revisão também ainda não achei tempo livre.

Na Minchá da véspera de 10 de Kislev, o nosso costume é não dizer Tachanun.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 12, carta ג'תתקסח (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.