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Cartas

A explicação que ele deu para a demora não satisfaz

Igros Kodesh, vol. 16 · carta ה'תתכד (5824) · 5 de Marcheshvan, 5718 · Brooklyn

A um jovem que estuda, se emociona demais e adia o shidduch. Sobre estudar de dois modos, conter o arrebatamento, e procurar como quem procura o que perdeu.

Depois de um intervalo bem longo, recebeu-se sua carta de 26 de Tishrei. Causa estranheza que o senhor não mencione nela como aproveitou os dias de favor do mês de Tishrei. E entenda-se que não falo apenas do senhor como pessoa particular, mas, e isso é o principal, da sua influência sobre os outros. Essa força de influir lhe foi dada pela hashgachá de Cima, e cabe ao senhor trazê-la ao descoberto e à prática. Certamente cumprirá isso na próxima ocasião.

Quanto à sua pergunta sobre quais capítulos do Tanya e de outros livros de Chassidus incluir no programa.

Certamente o senhor tem, ou achará entre anash na Terra Santa, as últimas edições do Tanya, do Torá Or, do Derech Mitzvotecha e do Shaarei Orá. Nesses livros há índice de assuntos, e nele o senhor encontrará resposta quanto aos temas sobre os quais escreve, e também quanto a temas novos, caso queira incluí-los.

Sobre o modo de estudar, entenda-se que isso depende da natureza da alma e dos talentos de cada um, e também de quanto do seu tempo é dedicado ao estudo. Por isso nisso o senhor deve consultar justamente quem está à sua volta e o conhece, expondo a eles todos esses detalhes.

Um ponto geral, igual para toda alma, é este. Tanto no nigleh quanto no nistar é preciso haver estudo de corrida e estudo de aprofundamento. Porque também o primeiro é da maior importância, para adquirir conhecimento suficientemente largo, ainda que de modo superficial.

Quanto ao que escreve, que se emociona e se arrebata, e que depois de pouco tempo aquilo passa, e isso atrapalha o seu trabalho. Ao contrário. A emoção e o arrebatamento, em si mesmos, podem ser aproveitados em santidade. E quanto a dizer que isso atrapalha a hitbonenut, entenda-se que é possível conter o arrebatamento quando se estuda com o livro aberto diante dos olhos, ou em grupo. Então as letras escritas, ou os companheiros, seguram o senhor, e não deixam que se desobrigue apenas por cima. E o principal, como em todas as coisas de santidade, é que seja de modo de yagata, pois então nos foi garantido matsata.

Entenda-se também que a explicação que o senhor dá para a demora até agora nas coisas de shidduch não me satisfaz de modo algum. É mitzvá grande segundo o Shulchan Aruch, e afeta toda a situação e a ação da pessoa, como se sabe de Chazal, kol hasharuy belo ishá, e ali se detalham várias coisas.

As razões que o senhor escreve, na esmagadora maioria dos casos, vêm justificar a falta do empenho que a coisa exige. E na expressão de Chazal, deve-se procurar como o homem que procura aquilo que perdeu.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 16, carta ה'תתכד (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.