CHABAD Chabad Brasil BRASIL
Cartas

Cortar toda a gengiva, e por que pedir outra opinião

Igros Kodesh, vol. 20 · carta ז'תקפט (7589) · 4 de Adar, 5721 · Brooklyn · A um homem com três perguntas

Três perguntas, e a última é uma cirurgia estranha que um especialista lhe propôs. Na dúvida, ficar parado é melhor.

Depois de um intervalo, recebi a sua carta de 27 de Shevat. E quanto às suas perguntas.

Primeiro, a respeito de tomar parte nas organizações de certo movimento, com quem no seu tempo o rabinato proibiu trabalhar em conjunto, e como proceder quanto a isso.

Ora, de modo geral, já que um rabino que é o mará deatra decide pela força da semichá, quer dizer, dá o parecer da Torá, entende-se que aquele que chega ao lugar precisa guardar essa decisão. A não ser que haja várias comunidades e cada uma tenha o seu rabino, e não exista um beit din que as ligue e as una. Só que se entende que está no seu direito, e talvez também seja seu dever, falar com os rabinos a respeito dessa questão, e apurar com eles se aquela decisão vale também quanto a um pedido do tipo do que lhe foi feito, ou se este é diferente.

Segundo, quanto à sua pergunta sobre se deve inscrever-se para o exame na universidade.

Pelo que se vê da sua carta, a pergunta não é se vai estudar na universidade, porque isso já está feito de todo modo, e sim quanto aos exames. De todo modo, num caso desses é preciso avaliar a reação do público a respeito, se aquilo será entendido como um selo de aprovação a uma coisa que não é desejável. E nisso é preciso avaliar a situação justamente no lugar. E o que frisei acima, que ele não pergunta a respeito do estudo em si, entende-se pela posição conhecida quanto aos estudos profanos.

Terceiro, quanto à proposta de cortar toda a carne das gengivas, que não se dê.

De modo geral é proposta estranha, ainda mais porque o corte é feito para que se forme carne nova, quer dizer, uma coisa de que não se pode ter certeza, em cem por cento, de que aconteça por inteiro. Mesmo assim, já que escreve que recebeu a proposta de um especialista, cabe procurar outro especialista e saber a opinião dele a respeito. E em caso de dúvida, e de modo geral, ficar sentado e não fazer é melhor.

Será agradável receber boas notícias do encontro sobre o qual escreve, e em detalhe. E Chazal já nos deram a saber qual é o bem verdadeiro, o que é bom para o Céu, bom para as criaturas, e bom porque dá frutos. E palavras que saem do coração, nos foi garantido que entram no coração de quem ouve.

Com brochá de boas notícias em tudo o que ficou dito,

Menachem Schneerson.

Post scriptum. Por certo tomou parte na hitvaadut do dia da hilulá do meu sogro, o Rebe, o dez de Shevat, e tirou dali um despertar para o ano inteiro, pois é esse o alvo de uma hitvaadut de chassidim.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 20, carta ז'תקפט (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.