Em tempo de guerra não se adia o essencial
Escrita durante os acontecimentos de Kislev de 5717. Soldados não jejuam, mas acrescenta-se santidade no acampamento.
Sua carta de 3 de Kislev, que demorou um pouco no caminho, foi recebida. Segue aqui um maamar que se estudou publicamente no Shabat que abençoa o mês de Kislev, isto é, no começo dos acontecimentos das últimas semanas. Nele o senhor encontrará resposta, e também a minha opinião, sobre vários dos pontos que tocou na sua carta.
E quero acrescentar o seguinte. A ideia de que, em tempo de acontecimentos excepcionais, a hora não serve para o esforço naquelas coisas de que tratamos nas cartas anteriores, as suas e as minhas respostas, é ideia que, na minha opinião, não está certa.
Ao contrário. Se nos dias comuns, quando o mundo segue o seu costume, a Torá e a mitzvá são coisa vital para o indivíduo e também para o conjunto do nosso povo, quanto mais numa hora de perturbação na ordem da vida. E com toda a certeza quando as perturbações são de fundo e afetam a própria questão da sobrevivência.
E são características as orientações da nossa Torá quanto ao exército em tempo de guerra. Primeira. Os soldados não devem jejuar, nem mesmo como prece pela vitória, porque isso enfraquece a força do corpo, e é por meio dele que a guerra é conduzida. Em lugar disso, em tempo de guerra assume-se o compromisso de jejuar depois da vitória e da paz. Segunda. É preciso acrescentar santidade no acampamento do exército, e isso mesmo fora do tempo de guerra, além do que já é costume na vida comum.
Em outras palavras, um estado de emergência exige acréscimo e cuidado redobrado em guardar a Torá de vida, que nos foi dada por Aquele de quem está escrito, Hashem é homem de guerra, Hashem é o Seu nome. E disso depende a vitória, mesmo numa guerra em que, também segundo a Torá, são necessários exército, força e carros.
É evidente que o senhor tem razão ao escrever que em dias assim não se faz ouvir a lembrança das faltas, chas veshalom. Mas isso não é o mesmo que aquilo sobre o que escreve a respeito da palavra de mussar. Ao contrário, em tempo de guerra e num acampamento do exército em geral, a necessidade disso é maior.
E a diferença é simples. Lembrar faltas é coisa do passado. A palavra de mussar e o apontar do caminho da vida têm por assunto o presente e o futuro.
E quanto ao exército, o ponto fundamental da conduta de uma guerra e da conduta de um exército em geral é o ponto da aceitação do jugo, e da disciplina absoluta do menor diante do maior e de quem está abaixo diante de quem está acima. Disciplina que não nasce de uma deliberação prévia, até que a pessoa entenda a ordem com a sua própria inteligência, mas justamente disciplina cujo fundamento é pôr o naasse antes do nishmá. E para alguém como o senhor certamente não é preciso explicar mais o que isso significa do outro lado.
E apoiado na promessa de que muitas águas e rios não conseguem apagar o amor do Kadosh Baruch Hu por Israel, nem tampouco o amor interior e essencial de cada judeu e cada judia pelo Kadosh Baruch Hu, que seja da vontade de Hashem que esse amor se revele na prática. E no que toca à prática, então com certeza sairemos, dentro de todo o Israel, do aperto e do estreito para a verdadeira largueza.
E é certo que todo aquele a quem a hashgachá de Cima agraciou com força de influência tem nisso um mérito, e também uma responsabilidade, e também as forças que lhe foram dadas para isso, e todos eles são grandes.
Com brochá para os dias de Chanucá, que iluminam a escuridão da noite e do exílio, até que mereçamos o cumprimento da promessa de agradecer e louvar o Seu grande nome no terceiro Templo, na nossa redenção verdadeira.
ד'תתקצא
ב"ה, א' טבת, תשי"ז
ברוקלין.
שלום וברכה!
מכתבו מיום ג' בכסלו, שנתאחר קצת דרך הילוכו, נתקבל. ומוסג"פ מאמר שלמדו כאן ברבים בשבת מברכים חודש כסלו, היינו התחלת המאורעות של השבועות האחרונים, אשר בו ימצא מענה וגם השקפתי על כמה מהנקודות שנגע בהן במכתבו.
ורצוני להוסיף, אשר הגישה שבזמן מאורעות מיוחדים אין השעה מתאימה להשתדלות באותם הענינים אשר אודותם דובר במכתבינו הקודמים, מכתביו אלי והמענה שלי, מובן שאין היא נכונה לדעתי, ואדרבה, כי אם בימים כסדרם כשהעולם כמנהגו נוהג, ענין התורה והמצוה חיוני הוא להפרט וכן להכלל דעמנו בני ישראל, על אחת כמה וכמה בשעת הפרעות בסדר החיים ופשיטא כשההפרעות הן עקריות ומשפיעות על עצם בעית הקיום.
ואופייניות הן הוראות תורתנו*, אשר בצבא בעת מלחמה: א) אין על אנשי הצבא להתענות אפילו לא בתור תפלה לנצחון המלחמה - כיון שזהו מחליש כח הגוף שעל ידו מתנהלת המלחמה, (אבל במקום זה: בעת מלחמה מקבלים ע"ע תענית להתענות לאחרי הנצחון והשלום). ב) צריך להוסיף קדושה במחנה הצבא, וגם שלא בעת מלחמה, נוסף על הנוהג בחיים הרגילים במלים אחרות, אשר מצב של חירו[ם] דורש הוספה וזהירות יתרה בשמירת תורת חיים, שניתנה לנו על ידי ה' איש מלחמה ה' שמו, ובזה תלוי הנצחון של המלחמה אפילו במלחמה כזו אשר גם ע"פ תורה נזקקים לחיל ולכח ולרכב.
פשיטא אשר צדק בכתבו שבימים כאלו אין משמיעים הזכרת עוונות, ח"ו, אבל אין כאן הענין בהנוגע למה שכותב אודות תוכחת מוסר, שאדרבה בעת מלחמה ובמחנה צבא בכלל - ההכרח בזה גדול יותר.
והחילוק פשוט: הזכרת עוונות - ה"ז ענין שבעבר, תוכחת מוסר והוראת דרך חיים - ענינה ההוה והעתיד.
ובנוגע לצבא - הרי הנקודה היסודית של הנהגת מלחמה והנהגת צבא בכלל, היא נקודת הקבלת עול ומשמעת מוחלטת של הקטן כלפי הגדול ושל הנמצא למטה לגבי הנמצא למעלה ממנו, משמעת שאינה נובעת מדיון קודם עד שמבין הפקודה והענין בשכלו הוא, אלא דוקא משמעת שיסודה הקדמה נעשה לנשמע. ובודאי לדכוותי' אין צורך בביאור נוסף ע"ד הנמשל.
ומיוסד על ההבטחה אשר מים רבים ונהרות גו' לא יוכלו לכבות את האהבה של הקב"ה לישראל וכן לא את האהבה הפנימית והעצמית של כל אחד ואחת מבני ישראל להקב"ה, יהי רצון שתתגלה אהבה זו בפועל, ובהנוגע לפועל, אשר אז בודאי נצא בתוך כלל ישראל מן הדוחק והמיצר להמרחב האמתי. ובודאי אשר כל אחד שההשגחה העליונה חוננה אותו בכח השפעה, זכותו בזה וגם אחריותו וגם הכחות שניתנו לו על זה, גדולים ביותר.
בברכה לימי חנוכה מאירים את חשכת הליל והגלות, עדי נזכה לקיום היעוד להודות ולהלל לשמו הגדול במקדש השלישי בגאולתנו האמיתית על ידי משיח צדקנו ובהוקרה.
ד'תתקצא
נדפסה בלקו"ש חי"ד ע' 296.
ומוסג"פ מאמר: ד"ה מים רבים, שאמר כ"ק אדמו"ר שליט"א בש"קמברכים כסלו, וע"פ הוראתו נדפס מיד באופן שיתקבל לאה"ק ת"ו בהקדם, בעת "מבצע סיני". ראה לעיל אגרת ד'תתצ, ובהנסמן בהערות שם.