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Cartas

Perguntas vazias que aparecem de repente, e o que fazer

Igros Kodesh, vol. 14 · carta ה'קע (5170) · 29 de Shevat, 5717 · Brooklyn · A um homem tomado por dúvidas

A quem foi tomado por dúvidas súbitas e não conseguiu derrubá-las com prova nenhuma. Brigar com elas é justamente o que as engorda.

Em resposta à sua carta, na qual escreve sobre a mudança que notou alguns meses atrás, quando de repente lhe caíram perguntas vazias e dúvidas, e de nada adiantaram os reforços com toda espécie de provas.

Ora, vê-se na prática, numa coisa dessas, que o melhor conselho é tirar o pensamento de todo o assunto por algum tempo, e não entrar em guerra com esses pensamentos vãos. Na grande maioria dos casos, com isso a hesitação e as dúvidas e as perguntas se enfraquecem.

E a explicação disso é que dúvidas e perguntas assim vêm de fora. Porque sobre cada um de Israel foi dito que são maaminim bnei maaminim, crentes filhos de crentes, e uma coisa que vem por herança ao longo de dezenas de gerações é evidente que é forte e firme. Só que, por várias razões laterais, nem sempre ela mostra o seu efeito à vista, e é possível que coisas contrárias e opostas a cubram e a escondam. E ao guerrear com elas, a própria guerra fortalece a existência delas e ainda lhes acrescenta importância, à maneira do isurá achshevei.

Já tirar o pensamento e não lhes dar atenção nenhuma, sem entrar em discussão de espécie alguma, e sim desviar o pensamento ocupando-se de alguma coisa de entendimento e de razão de outro tipo por completo, isso enfraquece a pega que essas coisas estranhas e opostas têm na alma do homem e no curso do seu pensamento.

E entende-se que livrar-se de pensamentos estranhos só é possível por meio de outro pensamento bom, já que o pensamento anda sempre vagando e não lhe é possível ficar vazio por inteiro. E quando a pessoa se aprofunda com força em outros pensamentos, em assuntos de Torá, que é Torá or, isso afasta muita escuridão.

Entende-se também que é preciso examinar como foi que uma coisa estranha e oposta se agarrou à alma. E, conforme está explicado nos livros de mussar e ainda mais nos livros de Chassidus, isso vem dos assuntos de chen e da falta de cuidado no que toca a coisas vãs. Por isso, junto com o tirar o pensamento de que falamos, cabe-lhe conduzir-se, bli neder, com cuidado daqui em diante na tevilat Ezra, e tirar o pensamento por algum tempo dos assuntos de chen, mesmo dos tikunim deles, e ver a responsa do Tsemach Tsedek, Shaar Hamiluim, siman 62. E aumentar nas letras da Torá e da tefilá, dar para tsedaká ao menos quantias pequenas, e influir sobre a mocidade para aproximá-la da Torá e das suas mitsvot, conforme o dito de Chazal de que todo aquele que ensina Torá ao filho do seu companheiro é como se o tivesse gerado.

E antes de tudo, organizar-se de modo de ivdu et Hashem besimchá, servir a Hashem com alegria, como está explicado no Tanya em vários lugares. E quando o yetser hará o incitar dizendo como lhe é possível estar em alegria, sabendo em que posição e em que situação se encontra, leve-o ao sefer Tanya, onde está explicado por extenso que não se deve misturar a alegria da alma com a tristeza do corpo, e que cada coisa tem o seu tempo. E quando se está firme na vontade e se pega no trabalho com alegria, também nisso se tem êxito, e com um acréscimo especial de ajuda de Cima, conforme o que está explicado no Zohar hakadosh, parte segunda, folha 184b, no trecho que começa chedvá debar nash. Veja tudo isso ali com atenção.

O que espera boas notícias em tudo o que ficou dito, e com alegria verdadeira e interior.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 14, carta ה'קע (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.