CHABAD Chabad Brasil BRASIL
Cartas

Depois que o amigo perdoa, ainda falta a correção

Igros Kodesh, vol. 16 · carta ה'תתסג (5863) · 21 de Marcheshvan, 5718 · Brooklyn · A um avrech que fez três perguntas

Três perguntas numa carta só. A do meio é a que fica: envergonhar alguém deixa duas dívidas, e o perdão só apaga uma.

Em resposta à sua carta de 14 de Marcheshvan, com a sua pergunta a respeito da brochá do Halel, que no Hayom Yom está impressa de modo diferente do que está no sidur.

É conhecida a regra, em coisas assim, de que se segue a formulação mais recente. E isso se entende de modo simples, porque na hora em que se organizou o Hayom Yom sabia-se e examinou-se o que está escrito no sidur. E não há por que estranhar que na prática se faça de outro modo, porque em vários assuntos há casos assim, e por vários motivos existem sem dúvida diferenças dessa ordem. E Chazal já nos avisaram a respeito de diferenças assim, que a coisa se decide justamente pela prática. E quanto a este ponto em particular, veja no Shaar Hakolel, e no livro Piskei Hasidur, do Rav Naeh, no seu começo.

Quanto ao que escreve a respeito da correção por ter envergonhado um companheiro, depois que o companheiro perdoou. É verdade que nisso há uma coisa que é entre o homem e o seu companheiro e também uma coisa que é entre o homem e o Makom, e para essa é preciso correção. E, como em todas as correções, ela precisa ser naquele mesmo ponto em que houve o estrago. Quer dizer, acrescentar na honra devida às criaturas em geral e na honra devida aos companheiros em particular. E já que na grande maioria dos casos a causa de envergonhar um companheiro está ligada à medida da ira ou à do orgulho, também nisso é preciso conduzir-se pelo extremo oposto, como se entende do que o Rambam escreve nas Hilchot Deot, capítulo segundo.

Quanto ao que escreve a respeito do seu estudo de Tanya com o companheiro, que não entende o sentido simples, causa espanto como se escreve uma coisa dessas, porque não cabe nem um pouco e não convém. Ainda que sejam conhecidas as palavras do meu sogro, o Rebe, a respeito da dificuldade de entender as palavras do Tanya na sua profundidade e no seu essencial, junto com isso, nessa mesma anotação, está trazido que até o mais simples entende ali alguma coisa. Veja ali na anotação, impressa no fim do livro Kitsurim veHaarot laTanya. E com mais razão quando se trata de um avrech que é aluno de yeshivá há vários anos, e a quem o mérito do público ajuda a difundir as fontes até que cheguem também para fora, cada vez mais longe. Só que também nisso o trabalho precisa ser com alegria e bom coração, e então se tem êxito.

Com brochá,

Em nome do Rebe, o secretário.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 16, carta ה'תתסג (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.