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Cartas

Ele escreveu que não tem influência nenhuma sobre ninguém

Igros Kodesh, vol. 18 · carta ו'תתקנח (6958) · Fim de Tamuz, 5719 · Brooklyn, Nova York · Ao senhor Eliezer Arieh Halevi, conhecido como Dr. Finkelstein

Conhecer os próprios defeitos é obrigação, e conhecer a própria força também. Carta de fim de Tamuz, com a lição do homem que enfrentou um império.

Em pacote separado o senhor receberá as nossas últimas publicações, e espero que sejam de proveito para muitos.

Nesta oportunidade quero deter-me num ponto da sua carta, onde escreve que não é de modo algum um homem de influência, e que no meio do senhor não há força de influência nenhuma.

É conhecido o dito do meu sogro, o Rebe, em casos assim, de que assim como é obrigatório a todo homem conhecer os seus defeitos, porque só então pode corrigi-los e viver a sua vida como convém, na mesma medida é obrigatório também conhecer os seus dons, a sua capacidade e as suas qualidades.

E por certo, justamente nestes dias, não é preciso alongar-me em provas de que o senhor é um homem de influência, porque, pelo que sei, a sua força de influência conseguiu provocar uma virada importante para o lado certo nos meios sobre os quais influi. E, conforme me contaram, se não fosse a sua intervenção, algumas coisas teriam ficado de um modo indesejável por inteiro. Entende-se que não conheço os detalhes, mas palavras de verdade se reconhecem.

Por certo também é desnecessário alongar-me no ponto de que todo êxito numa boa ação deve provocar um acréscimo de esforço nessa mesma direção. Na expressão dos nossos sábios, de abençoada memória, quem tem cem quer duzentos, com um acréscimo de cem, e quem tem duzentos quer quatrocentos, com um acréscimo de duzentos. E, pedindo-lhe desculpas, tratando-se de coisas essenciais e dos fundamentos da nossa emuná, o que se espera e o que se implora é uma mudança essencial entre aqueles sobre quem o senhor influi.

Quanto ao que escreve, que só há um caminho para influir, o de aumentar o estudo da Torá, na esperança de que o maor que há nela faça voltar ao bem também aqueles que estão longe dela, apesar de a mitsvá de talmud Torá pesar tanto quanto todas, e de o maor da Torá ter força para fazer voltar ao bem, não nos é permitido, e a hora tampouco permite, ficar de longe e esperar que isso se cumpra. Ainda mais tratando-se de pessoas sobre quem se influi mas que também influem sobre um meio maior ou menor.

Além disso, temos o pesak e a orientação clara em Avot, de que, para que a sua sabedoria se mantenha, e a intenção da Mishná é sem dúvida a sabedoria da Torá, é preciso que o seu temor venha antes. E quando se observa a índole da alma dos moços do nosso povo nos Estados Unidos, vê-se que eles estão prontos, e mais ainda do que os que estão na meia-idade, para receber ideias verdadeiras e sem meios-termos. E pelo contrário, todo meio-termo enfraquece a força da influência. E por certo também nisto é desnecessário alongar-me, que a intenção do temor vir antes é no sentido simples, e que então o estudo leva às mitsvot na prática. Como resumiu o mais sábio dos homens, depois de toda a investigação e de toda a busca, teme a D'us, e é um temor que leva a guardar as Suas mitsvot, porque isso é o homem todo.

O mês de Tamuz é marcado para nós pelos dias próprios que são o 12 e o 13 dele, dias da redenção do meu sogro, o Rebe, da sua prisão na União Soviética. A história dos condutores de Israel deve servir de lição viva e de estudo. E o ponto interior desses dias de redenção é que aquele que luta de verdade pela verdade, até a entrega da própria alma, e ainda mais numa coisa que toca a muitos, mesmo sendo um homem só pode ficar de pé diante de um governo poderoso e contra ele, e até vencê-lo.

Com respeito e com brochá.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 18, carta ו'תתקנח (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.