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Cartas

Não venham para cá, fiquem em Paris e façam o trabalho ali

Igros Kodesh, vol. 18 · carta ו'תתקסא (6961) · 2 de Menachem Av, 5719 · Brooklyn · A um chassid de Paris

A um chassid que queria viajar a Nova York para visitar. O Rebe olha para os que já vieram e para o que aconteceu com eles.

Confirmo o recebimento da sua carta e também das saudações que mandou pelo viajante que veio do lugar do senhor para cá.

Quanto ao que escreve sobre viajar e visitar aqui.

Já é sabido e notório que isso não me agrada nem um pouco, e por vários motivos. Além de que uma viagem assim vem acompanhada de muitos transtornos e gastos, gastos de energia, gastos de dinheiro, e gastos também em matéria de saúde.

E junto com isso, há campo largo para cada um de anash em Paris e nos arredores para agir conforme a tarefa do homem, como diz a Mishná, ani nivreiti leshamesh et koni, eu fui criado para servir ao meu Criador. Quer dizer, ir de força em força na Torá e nas suas mitsvot, no que toca a si mesmo e no que toca à influência sobre o próximo.

Além de tudo isso, olhando para aqueles que vieram para cá, e para a mudança que se deu neles em relação ao modo de vida que tinham antes em Paris, sou obrigado a dizer que na maioria deles a dispersão da alma aumentou muito e muito. Boa parte do tempo deles foi dada a assuntos que, no modo de vida que tinham antes de chegar aqui, não tinham obrigação alguma. E poderiam ter dedicado esse tempo à espiritualidade, ou ao menos a assuntos que têm alguma finalidade, em vez de perder tempo com coisas secundárias, coisas de vida passageira, e ainda menos do que isso.

E se Chazal já nos avisaram, de modo geral, que morar em cidade grande é coisa difícil, com mais razão uma visita a uma cidade grande dos Estados Unidos, país conhecido pela dispersão da alma, pelos pressupostos do mundo, e por aquele barulho da rua. Só que se entende que, dentro das quatro amot dos filhos de Israel, a rua é uma rua permitida, mas mesmo assim ela borra o homem e o baixa do seu degrau em muitos e muitos terrenos.

E quisera eu que a maioria de anash que vieram para cá da França ouvissem a minha voz e, com chesed e com rachamim, com alegria e bom coração, voltassem a Paris e aos arredores para cumprir ali a sua shlichut, no fortalecimento do judaísmo em geral e na difusão das fontes em particular.

E tudo o que ficou dito vale também para os que vieram aqui por algumas semanas, pois a experiência mostrou que desperdiçaram tempo e energia como se disse. E o principal, nas fraquezas que tiveram aqui, porque um chassid acaba dando o seu tempo e as suas forças não apenas a assuntos da nefesh habahamit, mas também a coisas abaixo disso, a assuntos que nem lhes passariam pela cabeça antes de virem para cá. E não há por que alongar-me numa coisa tão triste.

E quisera que divulgasse estas minhas palavras de modo que façam efeito também sobre outros, e também sobre aqueles que já vieram para cá, para que ajam conforme tudo o que ficou dito.

Com brochá de saúde firme, e de que, com sossego, alegria e bom coração, se ocupe da Torá e das mitsvot no lugar em que está agora, e sirva de exemplo para todo anash de lá e também para os de fora de lá, para que façam também assim. E já foi dito, assá haElokim et haadam yashar vehema bikshu chesbonot rabim, D'us fez o homem reto, e eles foram procurar muitas contas.

E com brochá de boas notícias em tudo o que ficou dito.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 18, carta ו'תתקסא (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.