CHABAD Chabad Brasil BRASIL
Cartas

Ninguém é testemunha confiável a respeito de si mesmo

Igros Kodesh, vol. 18 · carta ו'תרמג (6643) · 13 de Tevet, 5719 · Brooklyn · A um professor casado

Um professor cuja mulher se queixa de que ele dá tempo demais ao trabalho da comunidade. O Rebe se recusa a arbitrar, e diz a quem ele deve perguntar.

Depois de um intervalo bem longo, recebi a sua carta, que terminou de escrever em Zot Chanucá e que chegou agora.

Nela escreve os pontos principais do seu trabalho sagrado, no chinuch em pureza de kodesh na yeshivá, e também no grupo de mulheres para quem ensina.

E por certo o tamanho do valor desse trabalho não precisa de explicação, pois a coisa está dita com todas as letras na nossa santa Torá, Torá de vida, em vários lugares. E por certo também a sua esposa sabe disso, já que escreve que ela concorda com vários pontos do seu trabalho. E termina a carta dizendo que ela tem queixas quanto a esse ensino, de que o senhor dedica tempo demais a ele, e que isso pega na atenção que os seus filhos precisam ter, e também nos assuntos da casa em geral. E pergunta o meu parecer.

Ora, de modo geral, entende-se e é simples que não se pode cravar pregos, quer dizer, fixar uma conduta igual para cada dia, já que as coisas mudam, e com elas muda também a responsabilidade, tanto quanto aos assuntos do público quanto aos assuntos da casa.

Mas é simples que cabe ao homem dedicar do seu tempo também ao trabalho do público, mesmo aqueles que precisam dedicar boa parte do seu tempo aos assuntos da casa, e ao ponto central deles, que é o chinuch dos filhos. E, conforme o que ficou dito, entende-se que, para saber com exatidão como repartir o tempo entre os assuntos do público e o trabalho particular, é preciso o parecer de quem está no lugar. Porque ele mesmo é o mais próximo de si mesmo, conforme o dito de Chazal, e por isso não lhe é possível julgar de verdade como se deve. E, conforme Chazal explicam, por causa dessa proximidade consigo mesmo ele não é testemunha confiável a respeito de si, nem quando fala das suas qualidades nem quando fala dos seus defeitos.

Por isso, exponha a coisa diante de três dos seus amigos que estão no lugar. E já foi dito, uteshuá berov yoets, a salvaguarda está na abundância de conselheiros.

E a mim cabe apenas repetir mais uma vez que o trabalho em benefício do público é obrigatório para cada um, e ainda mais para aquele a quem a Providência de Cima deu esse mérito e que já viu bom fruto no seu esforço.

Por certo conhece os três shiurim de Chumash, Tehilim e Tanya, os conhecidos, e ao menos daqui em diante que os guarde. E que a sua esposa guarde o bom costume das filhas de Israel, de separar para tsedaká antes de acender as velas em toda véspera de Shabat e de yom tov.

Com brochá de boas notícias.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 18, carta ו'תרמג (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.