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Cartas

Sobre a moça que lhe parece tzenuá, e como se conduzir

Igros Kodesh, vol. 20 · carta ז'תקכד (7524) · 29 de Kislev, 5721 · Brooklyn

A um jovem que pensa em casamento e teme parecer extremado ao pedir o que pede. Falar por intermediário, e não recuar do pedido.

Recebi sua carta de segunda-feira, na qual o senhor escreve um resumo do que passou, e da sua situação agora.

Foi grato ler em especial que o senhor não se contenta de modo algum com o que alcançou até aqui no judaísmo, na Torá e nas mitzvot, e espera subir e acrescentar em santidade. Vontade boa dessas certamente se esforça por chegar a coisas de fato. E quanto a esse chegar, Chazal nos ensinaram que, quando vem pelo que se chama esforço, então vale a promessa. Yagata umatsata. Esforçaste-te e encontraste.

Que seja da vontade de Hashem que o senhor faça como foi dito, e tenha êxito ainda maior do que imagina. E não é preciso destacar que entre as mitzvot principais está veahavta lereachá kamocha, que é um grande princípio na Torá. Quero dizer que o senhor se esforce por influenciar os seus colegas e o seu ambiente em geral, para que também eles se ponham a subir em santidade. Sobre o senhor e sobre eles vale o dito do sábio. Não há coisa que resista diante da vontade.

Quanto a escrever que estuda pouco de Chassidus, isso causa estranheza. Vê-se na prática que calor e vitalidade chassídicos acrescentam constância e dedicação também no estudo do nigleh, e capricho no cumprimento das mitzvot. E como foi dito, não há coisa que resista diante da vontade. Ainda mais que certamente, de tempo em tempo, o senhor encontra pessoas que estudam ou estudaram essa parte da Torá, e pode conversar com elas sobre o ponto difícil ou sobre o ponto novo.

Quanto ao que escreve sobre uma moça que lhe parece tzenuá, e lhe subiu ao pensamento casar com ela, e pergunta como se conduzir, e como pedir a ela a respeito dos bons caminhos das filhas de Israel.

Sobre a conduta, e pelo que se vê a sua intenção é o shidduch, faça nisso conforme o costume dos filhos de Israel e dos bnei yeshivá na Terra Santa que são zelosos na palavra de Hashem e cumprem as mitzvot como deve ser. Parece-me que em coisa dessas isso se faz por meio de um intermediário, e não de modo direto. E também no bom senso a coisa é acertada, pois desse modo há possibilidade de o rapaz e a moça exporem o que desejam sem tocar na honra de ninguém.

Quanto aos bons caminhos, também nisso convém fazer por meio do intermediário, e certamente por um intermediário que fale com modos suaves e agradáveis. Só que nisso há também lugar para explicar mais no encontro dos dois, ainda que, como se entende, não logo no começo do encontro.

Quanto ao receio de que, por causa do que o senhor pede, venham a considerá-lo extremado. Justamente no último tempo despertou-se um espírito de pureza e de temor na Terra Santa, dentro da juventude, de voltar ao costume dos pais, que é Torá.

Quando o senhor escrever também o nome de sua mãe, pois assim se costuma mencionar na tefilá, será lembrado junto ao tsiun do meu sogro, o Rebe, conforme o conteúdo do que escreveu. E que seja da vontade de Hashem que o senhor traga boas notícias em tudo o que foi dito.

Com brochá de Chanucá alegre.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 20, carta ז'תקכד (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.