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Cartas

O marido que se entrega demais ao trabalho da comunidade

Igros Kodesh, vol. 16 · carta ו'קלג (6133) · 25 de Adar, 5718 · Brooklyn · À esposa de um ativista

A uma mulher que escreveu queixando-se do marido, ocupado em excesso desde que voltou de Nova York. Resposta em três partes, e nenhuma delas é a que ela esperava.

Em resposta à sua carta do fim de Shevat, na qual escreve sobre o modo de trabalhar do seu marido desde que voltou daqui, e sobre o resultado disso para a família, já que anda ocupado em excesso. E, conforme escreve, mesmo dentro do nosso meio olham para essa conduta com espanto.

Antes de tudo devo afastar este último argumento. Porque o fundamento e o começo das quatro partes do Shulchan Aruch é al yevosh mipnei hamalliguim, não te envergonhes diante dos que zombam. Ainda mais que é preciso examinar qual é o motivo da zombaria, se não vem de inveja e coisa parecida. E quisera que fosse a inveja dos escribas, cujo resultado é o aumento da sabedoria.

Quanto ao argumento em si, entende-se que de modo geral a senhora tem razão, que ao marido e ao pai cabe dedicar do seu tempo à esposa e aos filhos, porque é coisa simples por inteiro que isso não é menos importante do que as demais mitsvot da nossa Torá. E são conhecidas as palavras do Rebe Rashab a esse respeito, de que assim como é preciso pôr tefilin, assim também isto.

Mas junto com isso está na natureza de todo trabalho em terreno novo que não se pode reduzir o tempo e limitá-lo pelo relógio, quando se quer começar o trabalho de modo que fique assentado e dure. E se isso vale para todo homem, com mais razão quanto ao seu marido, que a senhora por certo conhece e sabe que não é apegado ao método do caminho do meio. Quando começa um trabalho, é com todo o entusiasmo, e se o limitarem de alguma maneira, já de saída ele nem começa.

Mas, pelo que se vê, a minha suposição, e ela me parece quase certa, é que depois de passar o período do começo do seu trabalho nos terrenos novos, ele por certo entrará nos trilhos, e então cumprirá o seu dever sagrado como marido e como pai, conforme ficou dito. E mais ainda, isso não prejudicará a eficácia do seu trabalho nos terrenos novos. E é conhecido o exemplo disso: apesar de o Kadosh Baruch Hu ter dado a Israel Torá e mitsvot em número de seiscentas e treze, não somente uma mitsvá não diminui nem contradiz a outra, como pelo contrário disseram Chazal, mitsvá goreret mitsvá, uma mitsvá puxa a outra.

E quanto ao que escreve sobre o que lhe coube na partilha, quisera que muitas em Israel fossem como a senhora, cujos maridos merecem ocupar-se do chinuch dos filhos de Israel, aproximando o coração deles do nosso Pai que está nos Céus. A recompensa deles, e a recompensa de toda a família, e em particular da mulher, que ajuda nesse caminho, não há como explicar bastante, tanto na matéria quanto no espírito.

Foi-me agradável ler no fim da sua carta que vê bom fruto no seu trabalho na escola, no progresso da sua turma e na conduta dos alunos. E que seja da vontade que também nisso aumentem o êxito e a brochá, e que dê boas notícias a respeito de todos os assuntos que tocou nesta carta.

Com brochá de um Pessach kasher e alegre, e de boas notícias em tudo o que ficou dito, com saúde.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 16, carta ו'קלג (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.