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Cartas

O que sobra do chinuch depois que o aluno sai para a rua

Igros Kodesh, vol. 18 · carta ו'תשמ (6740) · 1 de Adar Sheni, 5719 · Brooklyn · Ao senhor Yitzchak Yair, de Kiryat Gat

A um homem que trabalha no chinuch religioso. Se o aluno vai ceder uma parte do que recebeu, é preciso incutir nele mais do que a conta.

Foi-me agradável receber a sua carta de 25 de Adar I, na qual escreve do seu empenho no chinuch religioso dos filhos de Israel. Por certo é desnecessário lembrá-lo de que, para o aluno andar no caminho da Torá e das mitsvot quando crescer, é preciso incutir nele yirat shamayim e esmero no cumprimento das mitsvot em tal medida que, mesmo depois de sair para a rua, onde por nossas muitas averot sopram ventos que não são comuns nem desejáveis, e onde nas horas mais próximas o aluno acaba cedendo uma parte daquilo que trazia do chinuch religioso, ainda assim, mesmo depois dessa cedência, ele guarde a Torá e as mitsvot por inteiro.

E já que é preciso incutir tudo isso no aluno, entende-se qual é o degrau em que precisa estar o educador, e aquele que influi sobre o aluno. Só que a cada um que quer trabalhar no fortalecimento do judaísmo, da Torá e das mitsvot foi prometido: haba letaher mesayin oto, quem vem para purificar-se recebe ajuda. E o proveito que se tira de tudo isso não precisa de explicação.

Foi-me agradável ler na sua carta que se encontrou com gente de Chabad. Espero que não apenas os tenha encontrado, mas que também se perfume com esta Torá e com as suas orientações, a ponto de num futuro bem próximo poder dar a notícia de que não somente os encontrou, mas entrou na chevrá deles e se tornou um dos seus. E daí vem o resultado imediato, que é a influência nesse mesmo sentido também sobre o seu ambiente. Sobre isso também foi dito que não há coisa alguma que resista à vontade.

Quanto ao que escreve a respeito do estudo da Torá do Chassidus e de fixar shiurim nisso, entende-se que nisto não é possível orientar do outro lado do mar, pois a coisa depende de detalhes e de detalhes de detalhes. Cabe ao senhor conversar sobre isso com a gente de Chabad que já conhece.

Nesta oportunidade lembro-lhe de fixar horas no estudo do sefer Tanya, e também o costume antigo de Israel de dizer todo dia, depois da tefilá da manhã, o shiur mensal de Tehilim, conforme a divisão pelos dias do mês.

Com brochá de boas notícias em tudo o que ficou dito.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 18, carta ו'תשמ (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.