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Cartas

Por onde começar um shiur de guemará

Igros Kodesh, vol. 16 · carta ה'תשצה (5795) · 11 de Tishrei, 5718 · Brooklyn · Ao Rav Moshe Yitzchak Hecht, New Haven

A quem vai abrir um shiur público de uma hora por semana e pergunta qual massechet escolher. Curta, prática, e com agadá que puxe o coração.

Foi grato receber sua carta com a boa notícia de que no primeiro dia de Chol HaMoed Sucot o senhor vai começar um shiur público de guemará. Que seja da vontade de Hashem que o estudo tenha êxito tanto na qualidade quanto na quantidade, isto é, no aumento do número dos que participam. E certamente se cumprirá a promessa de Chazal, gadol talmud shemevi lidei maasse. Grande é o estudo, porque leva à ação.

Quanto à sua pergunta, qual massechet começar e de que modo estudar.

Como por enquanto o estudo é de apenas uma hora por semana, convém que seja numa massechet cujas sugyot não sejam tão longas, e das massechtot menores, para que possam concluí-la dentro de alguns meses ao menos. E como a coisa é nova, convém também que seja em assuntos que tenham ligação com as halachot de que se precisa na prática.

Por tudo isso, é bom que o senhor proponha estudar Massechet Meguilá. Da mesma categoria é Rosh Hashaná, mas dela acabamos de sair. Em Beitsá, além de haver ali várias sugyot pesadas, as halachot não são tão frequentes nem tão necessárias na prática para o trabalho dessas pessoas. Em Meguilá não é assim. E há ainda o fato de que ela tem muita agadá, que puxa o coração, e cujo sentido se pode achar de vários modos nos comentários do Ein Yaakov. Certamente entre todos esses modos o senhor poderá escolher o que melhor sirva ao público que o ouve.

E que seja da vontade de Hashem que se cumpra no começo e no fim dessa massechet aquilo que é sabido. O senhor sabe da alusão trazida pelos antigos, de que no nome de Hashem o fim é vav e hei, que somam onze, e o começo é yud e hei. E a soma de onze até quinze é sessenta e cinco, que é o número do nome pelo qual se lê o nome de Hashem, isto é, dentro do escudo e da bainha dele. Quer dizer, como a Divindade desce e se esconde nas vestes do mundo, e é isso que o estudo da Torá tem de revelar, ao dizer isto é kasher, isto é puro, isto é permitido.

É assim que se revela, em cada dia, o conteúdo verdadeiro daquele dia. E como se sabe do fim da massechet, Moshé instituiu para Israel que perguntassem e estudassem o assunto próprio de cada data. E justamente do modo como Rashi explica ali, para receber e cumprir sobre si e sobre os filhos, neste mundo e no que vem.

Com brochá de êxito no seu trabalho sagrado, e de chag alegre.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 16, carta ה'תשצה (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.