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Cartas

Um bochur perguntando se deve fazer a sua vontade

Igros Kodesh, vol. 12 · carta ד'קמד (4144) · 1 de Adar, 5716 · Brooklyn · A um aluno da Tomchei Temimim

Um rapaz de yeshivá pediu permissão para mudar de casa de estudo. A pergunta em si é que soou estranha ao Rebe, e daí sai a resposta inteira.

Em resposta à sua carta de 25 de Shevat, na qual escreve que estuda na Yeshivá Tomchei Temimim, na filial de tal lugar, e que tem razões para continuar os estudos na Tomchei Temimim de Lod, e pergunta se deve fazer como quer ou não.

E entende-se que essa formulação é nova aos meus olhos, porque nunca ouvi um bochur de yeshivá em geral, e um bochur de Tomchei Temimim em particular, perguntar se deve fazer conforme a sua vontade. Pois o assunto de um bochur de yeshivá é subir em yirat shamayim, no estudo da Torá no revelado e no oculto, e no esmero no cumprimento das mitsvot, e não são assuntos de satisfazer as suas vontades. E ao que parece, o lugar que deu a isso é também a explicação da sua segunda pergunta, de que pensamentos estranhos o atrapalham no estudo.

E o conselho que serve para as duas coisas ao mesmo tempo, e a solução delas, é tomar sobre si o jugo do reino dos Céus, o jugo da Torá e o jugo das mitsvot. E na expressão de Chazal, é justamente em tudo isso que se escreveu a palavra jugo. E que ouça a orientação do seu rosh yeshivá, do seu mashguiach e do seu mashpia de Chassidus. Quer dizer, que exponha diante deles todas as razões que tem, e que depois faça o que lhe orientarem. E já se sabe que é justamente do modo de pôr o naassé antes do nishmá que se recebe a Torá, ainda que à primeira vista aquilo pareça coisa de entendimento. Com mais razão sendo esse o começo do trabalho e o seu fundamento.

E em particular quanto ao que escreve a respeito dos pensamentos estranhos, que tire deles o pensamento, e por meio de outros pensamentos. Quer dizer, não por meio de guerra e de discussão com o pensamento, e sim fincando a sua força de pensar num pensamento bom, em assunto de yirat shamayim e de Torá e mitsvot. E se isso lhe for muito difícil, que ligue o pensamento às letras escritas, quer dizer, que olhe para o texto impresso, pois assim fica mais fácil expulsar o pensamento que não é bom.

Por certo guarda os três shiurim iguais para toda alma, das ordenações do meu sogro, o Rebe, no Chumash, nos Tehilim e no Tanya, os conhecidos. E sabe de cor alguns capítulos de Tanya e alguns capítulos de Mishnaiot, e os repassa.

Com brochá.

Em nome do Rebe, o secretário.

Nota editorial. Tradução para o português a partir do texto hebraico publicado em Igros Kodesh, vol. 12, carta ד'קמד (Kehot). O original pode ser conferido na Biblioteca Chabad Lubavitch. Abreviaturas e referências foram abertas onde era preciso para a leitura. Não substitui o texto hebraico nem a consulta a um Rov em questões pessoais.